A depressão pós-parto ainda é cheia de estigmas, tabus, preconceitos. Apesar de comum, atingindo cerca de 25% das mulheres após o parto não é fácil falar que não se deseja um bebê tão desejado. Que não se ama um bebê tão amado. Mas tem cura. O tempo, o suporte familiar e a psicoterapia são fundamentais para que a mulher aprenda a lidar com sentimentos tão diversos.

E estudos recentes mostram que os  homens também podem sofrer com a transição para a paternidade e apresentar também depressão pós-parto. Dados recém publicados mostram que os pais têm a mesma probabilidade que as novas mães de desenvolver depressão pós-parto (Cheng et al., 2018).

Desta forma, aconselha-se que os profissionais de saúde que acolhem o novo bebê façam a triagem da depressão no pai e na mãe por até um ano após o nascimento. A triagem e adequado acompanhamento minimizam riscos para o recém-nascido como desatenção, dificuldade para amamentar, descumprimento de consultas e calendário de vacinação.

Para a triagem pode ser utilizada a versão modificada de 3 itens da escala de depressão pós-parto de Edimburgo, que deve ser rotineiramente administrada aos pais a cada 3 meses.

Muitos profissionais de saúde não possuem treinamento para manejo de problemas de saúde mental nas famílias. Por isso, todo o apoio é importante. Converse com seus familiares que acabaram de ter bebês. Fique de olho, converse, ofereça ajuda. Ter um bebê, apesar de incrível, demanda muitas mudanças e ajustes. São dias sem dormir, cuidados constantes, restrições. Cuidar da saúde mental dos pais é cuidar da saúde mental das crianças.